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quarta, 05 julho 2017 15:57

Tuberculose mata uma pessoa no mundo a cada 18 segundos

A tuberculose causou 1,8 milhões de óbitos em 2015, o que representa uma morte no mundo a cada 18 segundos devido a uma doença tratável e evitável, na qual duas organizações internacionais pediram hoje ao G20 para se focar mais.

No terceiro relatório hoje publicado, as organizações Médicos Sem Fronteiras (MSF) e Stop TB Partnership frisam que, em 2015, existiam 10,4 milhões de pessoas com tuberculose e que 54% delas vivem em países que integram o G20, instituição que se reúne dentro de dois dias na Alemanha. No documento, em que surgem dois países lusófonos – Brasil e Moçambique –, é relevado que a tuberculose é a doença infeciosa mais mortal do mundo, apesar de ser tratável e evitável.

O relatório examina as políticas e práticas para a tuberculose em 29 países, que correspondem a 82% da carga global da doença, segundo classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e que mostra que os países podem fazer mais para prevenir, diagnosticar e tratar pessoas afetadas pela tuberculose.

Intitulado Out of Step, o documento dos MSF e da Stop TB Partnership considera que a maioria dos países está "atrasada" na implementação das novas formas de tratamento, "menos morosas e menos dispendiosas". Na cimeira do G20, “os governos devem incluir a tuberculose nos seus esforços para lidar com o problema mais amplo das infeções resistentes a medicamento", apelam as organizações internacionais.

A diretora-executiva da Stop TB Partnership, Lucica Ditiu, lembrou que a tuberculose mata há muito tempo, salientando que há já novas ferramentas para a enfrentar e que muitos países não estão a fazer uso dos avanços terapêuticos, razão pela qual as pessoas continuam a morrer.

"Pedimos aos líderes do G20 que acordem e façam alguma coisa para parar as mortes desnecessárias e a disseminação da tuberculose, incluindo na sua forma resistente a medicamentos", acrescentou, dando como exemplo a "enorme lacuna ao nível dos diagnósticos". As duas instituições lembram que está disponível já o Xpert MTB/RIF, um teste molecular rápido para diagnosticar e testar a resistência aos medicamentos de primeira linha contra a doença, utilizado apenas em sete dos 29 países analisados.

"Isso significa que a maioria das pessoas nos 29 países ainda é examinada com um método que não deteta muitos casos, ou que exige uma espera de vários meses para confirmar a doença. Essa lacuna explica por que tanta gente continue sem diagnóstico e tratamento", é frisado no documento.

Em 2015, prossegue o relatório, com base na diferença entre a incidência estimada de tuberculose e os casos notificados, estimou-se que 4,3 milhões de pessoas com a doença nunca foram diagnosticadas.

"Como se pode esperar que as pessoas sejam tratadas se elas nem sequer conseguem ser diagnosticadas?", perguntou Issac Chikwanha, assessor médico para o VIH e Tuberculose da Campanha de Acesso a Medicamentos da MSF. "Se os países não fizerem mais para garantir que as pessoas tenham acesso a exames, será impossível reduzir as mortes evitáveis por tuberculose", advertiu, lembrando que a hospitalização por períodos extensos pode limitar a capacidade da pessoa de ter uma vida normal e deve ser reservada somente para os pacientes com tuberculose resistente em estado mais grave.

O relatório mostrou que em 34% dos países analisados ainda são praticados longos internamentos para o tratamento da tuberculose resistente, com os pacientes com tuberculose mais resistente a serem obrigados a tomar mais de 15 mil comprimidos num período de dois anos, algo que, como os novos métodos de diagnóstico e tratamento pode ser abreviado para nove meses. Apenas 13 dos países analisados disponibilizaram tratamentos mais curtos, lê-se no relatório.

"O relógio está a contar rapidamente, porque a cada 18 segundos uma pessoa morre devido a tuberculose. Este número precisa de ser travado", acrescenta o documento, que dá também conta de que o número de pessoas diagnosticadas nos últimos quatro anos estagnou, enquanto o de mortes aumentou, ao invés de diminuir.

Os governos do G20 são os maiores contribuintes da resposta global à tuberculose, com mais de 1.600 milhões de dólares doados para o Fundo Global de Combate à SIDA, Tuberculose e Malária em 2016, pelo que se torna agora necessário mais recursos para mais diagnósticos, melhores tratamentos e redução de mortes.

Pela primeira vez, a saúde global está incluída na agenda da cimeira do G20, que acontecerá na próxima sexta-feira e sábado, em Hamburgo. A Declaração dos Ministros da Saúde feita durante a preparação da reunião reconheceu que a tuberculose deve estar no centro dos esforços contra as infeções resistentes a medicamentos.

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