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quinta, 21 setembro 2017 11:22

Campanhas antitabágicas devem considerar diferença entre sexos

Dados recentes – do IV Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas da População Geral 2016/2017, publicado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências – mostram que o consumo de tabaco apresenta uma subida de prevalência ao longo da vida e que esta subida “se deve sobretudo ao aumento do consumo entre as mulheres”.

Perante esta realidade, o coordenador do Núcleo de Estudos de Doenças Respiratórias (NEResp) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), Alfredo Martins, considera que ainda que não seja “determinante criar mensagens/campanhas antitabágicas dirigidas especificamente ao sexo feminino”, é importante, “para aumentar a sua eficácia, a inclusão de algumas especificidades de sexo (masculino ou feminino) nessa comunicação”. O alerta surge a propósito do Dia Europeu do Ex-Fumador, que se assinala no próximo dia 26 de setembro.

Alfredo Martins acredita “que os portugueses estão hoje mais informados sobre os riscos do tabaco para a sua saúde e para a saúde dos outros. Esse conhecimento não é contudo suficiente para que tenham uma consciência plena e duradoura desse risco, sobretudo nos que continuam a fumar e que são, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2014, 30% dos homens e 15% das mulheres”.

Para deixar de fumar, a vontade é “o fator mais importante para o sucesso da decisão de cessar o tabagismo”, mas sozinha não chega. “Está demonstrado que o aconselhamento médico e de outros profissionais de saúde melhoram as taxas de sucesso da cessação tabágica. É necessário que a equipa de saúde ajude na definição do plano de cessação em cada caso, dê conselhos práticos e informe e recomende o uso dos fármacos recomendados, ajustados às necessidades específicas de cada caso”. Um papel que cabe também ao médico internista, não só nas consultas, mas também “na organização dos serviços” e “na participação ativa em ações de formação e informação sobre consequências do tabagismo e sobretudo sobre o que fazer para deixar de fumar”.

Fumar é a primeira causa evitável de doença, incapacidade e morte prematura nos países desenvolvidos, reforça a OMS, que acrescenta que a pandemia do tabagismo foi responsável por 100 milhões de mortes no século XX e, se não for travada, poderá vir a matar outros mil milhões neste século. A nível nacional, os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) revelam que uma em cada cinco mortes observadas em pessoas, de ambos os sexos, entre os 45 e os 64 anos, são atribuíveis ao consumo de tabaco. Segundo o Inquérito Nacional de Saúde 2014, existem em Portugal cerca de 1,78 milhões de fumadores com 15. Quanto aos ex-fumadores, são 21,7% dos residentes com a mesma idade. Para o dia em que se celebram todos aqueles que conseguiram deixar de fumar, a mensagem do especialista da SPMI é simples: “sabendo-se o que se sabe sobre as consequências do tabaco e sobre a existência de possibilidade de ajuda para deixar de fumar, continuar a fumar ou voltar a fumar não abona a favor da inteligência”.

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