Jornal Médico

PesquisarSubscrever NewsletterFacebookTwitter

Agenda de Eventos

sexta, 26 janeiro 2018 14:51

INSA desenvolve tecnologia revolucionária para vigilância da gripe

O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), através do seu Departamento de Doenças Infeciosas, desenvolveu uma tecnologia que vai revolucionar a vigilância da gripe.

Trata-se de uma plataforma bioinformática on-line que permite, a qualquer laboratório do mundo, analisar o genoma completo do vírus da gripe, o que será decisivo para o aumento do conhecimento e inovação em áreas fundamentais para a prevenção e controlo desta doença.

Os investigadores do INSA responsáveis pelo desenvolvimento deste projeto pioneiro consideram que a nova plataforma, denominada INSaFLU (“INSide the FLU”), será decisiva, por exemplo, para o melhor design das vacinas antigripais. A contribuição para a identificação dos mecanismos genéticos responsáveis pela resistência a fármacos antivirais, assim como para a melhor compreensão da capacidade de transmissão e virulência do vírus influenza são outras mais-valias desta ferramenta inovadora a nível mundial.

Tradicionalmente, a vigilância desta epidemia sazonal, cuja morbilidade e mortalidade em todo o mundo é sobejamente conhecida, tem sido feita através do estudo genético de uma pequena porção do vírus influenza. No entanto, dada a limitada informação inerente a esta abordagem e ao recente desenvolvimento da sequenciação total do genoma para agentes microbianos patogénicos, as autoridades de saúde mundiais, nomeadamente a Organização Mundial de Saúde (OMS) e os Centros de Prevenção e Controlo de Doenças Europeu (ECDC) e Americano (CDC), emitiram fortes recomendações no sentido de passar a ser utilizada esta metodologia para a vigilância da gripe.

“A plataforma INSaFLU permite que, de uma forma simples, a vigilância da gripe possa ser realizada com base na análise da totalidade do genoma”, sublinha Vítor Borges, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da plataforma. “Um dos principais obstáculos à análise dos dados da sequenciação total do genoma prende-se com a necessidade de aplicar métodos complexos de bioinformática, os quais requerem um expertise especializado não disponível na maior parte dos laboratórios a nível mundial”, acrescenta o investigador.

Para colmatar esta lacuna, o Núcleo de Bioinformática e o Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe do Instituto Ricardo Jorge, com o apoio fundamental do bioinformático Miguel Pinheiro, desenvolveram esta nova ferramenta que, apesar da complexidade inerente à sua construção e implementação, é acessível a qualquer microbiologista sem conhecimentos avançados em bioinformática.

Esta é a primeira plataforma online, a nível mundial, de livre acesso e de fácil utilização para a integração da análise total do genoma do vírus influenza na vigilância da gripe, obedecendo às recomendações das autoridades de Saúde mundiais, no sentido de levar a cabo esta revolução tecnológica para o estudo da gripe.

Subscrição da newsletter do Jornal Médico