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quarta, 30 maio 2018 10:51

Cigarros eletrónicos: SPP alerta para risco de consumo nos jovens

O uso de cigarros eletrónicos e tabaco aquecido está a preocupar a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), que teme que os mesmos sejam “produtos atraentes” para os jovens.

“Há um risco agora mais recente que são os novos produtos como os cigarros eletrónicos, tabacos aquecidos e outros produtos” que são “atraentes para os jovens” para experimentação, porque “dão uma aparência de serem interessantes, giros, tecnológicos”, disse o coordenador da SPP, José Pedro Boléo-Tomé, em declarações à agência Lusa, a propósito do Dia Mundial Sem Tabaco, efeméride que se assinala já amanhã, dia 31 de maio.

No entanto, estes produtos também têm tóxicos e, muitos deles, idênticos aos de um cigarro normal. “A falsa ideia de que são produtos seguros ou que são muito mais seguros [do que o cigarro] é muito duvidoso, é preciso dizer às pessoas que são produtos que têm componentes perigosos, tóxicos e com altas doses de nicotina” e que o risco de “ficar dependente é muito alto”, salientou.

José Pedro Boléo-Tomé considera que “é importante” que haja informação sobre este risco e que seja numa linguagem adaptada à população jovem.

“O que interessa aos jovens não são as doenças, porque para eles é uma questão que não se coloca, mas é mostrar que ser cool não passa por fumar qualquer produto”, disse, explicando que é preciso mostrar-lhes que “os hábitos saudáveis é que são bons” e “marginalizar o ato de fumar qualquer que seja o produto”.

Segundo o pneumologista, esta mensagem deve chegar aos jovens de uma forma mais atrativa, nomeadamente através da internet ou do smartphone. “Da mesma forma que a indústria tabaqueira foi sempre criativa a fazer publicidade aos seus produtos também existem formas criativas de fazer o oposto, mostrar que o tabaco e os outros produtos não prestam e que o que presta são os hábitos saudáveis”.

No entanto, o responsável da SPP defende que “não bastam campanhas, é um trabalho que tem que ser feito de uma forma muito continuada”, porque “é preciso mudar uma geração” e evitar que as crianças e adolescentes comecem a fumar. “Isso é que vai ter impacto no futuro”.

Um estudo, apoiado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), que decorreu no ano letivo 2013/2014, revelou que a iniciação tabágica ocorre entre o 7.º e o 9.º ano. No 7.º ano, cerca 70 a 80% dos jovens nunca fumaram um cigarro, uma percentagem que baixou para os 40% no 9.º ano.

Questionado sobre o consumo de tabaco nos jovens, o pneumologista referiu que, os vários inquéritos até agora aplicados, não tem havido um aumento significativo, mas “há algumas questões preocupantes”, como o facto de as raparigas estarem a fumar mais do que os rapazes, à semelhança daquilo que está a acontecer com as mulheres jovens até aos 30 anos, que “estão a fumar cada vez mais”.

“O que está a acontecer é que no futuro vamos ter cada vez mais mulheres fumadoras e menos homens a fumar”, comentou o pneumologista.

Note-se que, para assinalar o Dia Mundial Sem Tabaco, a SPP vai lançar uma campanha promocional sobre os benefícios de não fumar, apresentando vários testemunhos de ex-fumadores.

De salientar que, de acordo com as estimativas elaboradoras pelo Institute of Health Metrics and Evaluation, em 2016, morreram em Portugal mais de 11.800 pessoas por doenças atribuíveis ao tabaco.

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