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segunda, 15 outubro 2018 14:02

Projeto europeu cria colete inovador para monitorizar DPOC

Um consórcio europeu desenvolveu um colete inovador para monitorização contínua da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), anunciou a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

O projeto, que começou a ser desenvolvido nos últimos quatro anos, teve como “objetivo desenvolver um sistema tecnológico que mude o paradigma no tratamento e acompanhamento dos pacientes que sofrem de DPOC com comorbilidades (designadamente insuficiência cardíaca, ansiedade, depressão e diabetes)”, apostando na medicina P4 (“preditiva, preventiva, personalizada e participativa”), refere uma nota da FCTUC, enviada hoje à agência Lusa.

Denominado WELCOME Vest (acrónimo de wearable sensing and smart cloud computing for integrated care to COPD Patients with Comorbiditie), este projeto dispõe de um financiamento de seis milhões de euros do 7.º programa-quadro de investigação (FP7) da União Europeia.

O consórcio, que envolve pneumologistas, terapeutas respiratórios, farmacêuticos e a indústria, conseguiu “pela primeira vez, produzir um colete” incorporando “um sistema de tomografia de impedância elétrica, equipamento que permite obter, de forma não invasiva, imagens dos pulmões geradas através da passagem de uma corrente elétrica”.

Esta foi “a grande inovação do projeto, mas o colete – que é apenas uma parte da solução tecnológica desenvolvida – integra tecnologia diversa, concretamente um vasto conjunto de diferentes tipos de sensores para monitorização contínua de sinais fisiológicos (eletrocardiograma, saturação de oxigénio, sons respiratórios, frequência respiratória e atividade física)”, explica o docente do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC e coordenador da equipa portuguesa, Rui Pedro Paiva.

O WELCOME Vest “efetua a aquisição em tempo real de um imenso volume de dados muito díspares e envia-os para um dispositivo do paciente (tablet ou smartphone), onde é realizado o pré-processamento da informação recolhida para validar a sua qualidade”, esclarece Rui Pedro Paiva.

“Também no tablet, o paciente dispõe de uma aplicação com um conjunto de tarefas a realizar pelo próprio, tais como resposta a questionários de fadiga, medição de pressão arterial, pesagem ou visualização de vídeos (in)formativos”, acrescenta.

Uma vez concluída a pré-validação, os dados são remetidos para uma “central de informação” instalada na cloud, onde se encontram todos os algoritmos desenvolvidos pelos cientistas do consórcio, “para o processamento dos diferentes tipos de informação que permita traçar o quadro do paciente e prever exacerbações, fornecendo ao médico, através de um sistema inteligente de apoio à decisão, informação que possibilite atuar atempadamente, evitando internamentos e atuando ao nível da prevenção e mitigação das comorbilidades da DPOC”, realça o investigador.

Embora este sistema seja muito complexo do ponto de vista tecnológico, é relativamente simples de utilizar. “As provas de conceito correram bastante bem, nos testes efetuados com pacientes, onde foi analisada a usabilidade da solução tecnológica, o colete foi considerado confortável e fácil de usar”, afirma Rui Pedro Paiva.

Segundo o especialista, esta solução tecnológica “terá um impacto socioeconómico muito elevado não só na qualidade de vida e conforto do doente, mas também nos sistemas de saúde. Apostamos numa abordagem proativa e centrada no paciente, visando a deteção precoce de complicações”.

A investigação vai, agora, centrar-se na melhoria da robustez e fiabilidade do sistema tecnológico. De forma a que o projeto possa prosseguir, a União Europeia já aprovou um financiamento de quatro milhões de euros.

De salientar que, de acordo com as previsões da Organização Mundial de Saúde, em 2030 a DPOC será a quarta causa de morte e a sétima de morbilidade no mundo.

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