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sexta, 02 novembro 2018 17:25

João Fonseca: “É possível vencer a asma, mas ainda estamos a meio caminho”

Recentemente, um grupo de sócios da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), publicou os resultados de uma iniciativa nacional de rastreios gratuitos à asma, no âmbito da campanha “Vencer a Asma”, na Revista Portuguesa de Imunoalergologia. Trata-se de um estudo transversal, realizado em oito cidades portuguesas, que envolveu 1086 pessoas, com idades compreendidas entre os cinco e os 93 anos.

Sob o mote “Vencer a Asma, antes que a Asma o vença a si!”, esta campanha pretende ouvir e compreender as limitações dos doentes asmáticos e consciencializar a população para os problemas da asma, mais concretamente para a necessidade de manter a doença controlada.

Segundo João Fonseca, “esta campanha tem sido muito especial, porque, ao contrário de outras campanhas, não se focou apenas num determinado momento ou num determinado tipo de ação”, tendo envolvido, desde o início, “um conjunto alargado de instituições e de agentes relacionados com a asma, desde as sociedades científicas, às associações de doentes”.

No entanto, o responsável da SPAIC lembra que estes rastreios “não são substitutos dos cuidados de saúde”, nem podem ser vistos como “dados epidemiológicos”, dado que incluem exclusivamente voluntários, pessoas que entenderam participar.

De qualquer forma, João Fonseca considera que estas iniciativas são importantes, pois permitem triar e informar um grande número de indivíduos num curto espaço de tempo. Por outro lado, os participantes “recebem um relatório com o resultado do rastreio para que possam, posteriormente, discuti-lo com o seu médico de família”, referiu.

De acordo com os resultados do estudo da SPAIC, 28% que, em alguma altura da vida, foram diagnosticados com asma e destes ¼ tinham sido internados no hospital por asma (8% de todos os participantes). Nos últimos 12 meses 46% tiveram sintomas respiratórios, o que aponta para um subdiagnóstico e/ou mau controlo da doença. A maioria dos participantes [60%] afirmou não saber em que consiste uma espirometria, exame realizado nos rastreios para avaliar a função respiratória e que é o mais importante para diagnóstico de doenças respiratórias como a asma.

João Fonseca mostrou-se surpreendido com estes resultados, acreditando que estes valores podem ser explicados, em parte, pela falta de literacia da população acerca desta doença. “Continua a existir uma noção muito pouco clara sobre a medicação, o que poderá suscitar problemas de adesão à terapêutica, mau controlo da doença ou até mesmo situações de toma de medicamentos e antibióticos em excesso”, sublinhou.

Esta campanha nacional pretende, entre outros objetivos, alertar os doentes para importância de não desvalorizarem os sintomas, só assim, poderão vir a desfrutar de um dia-a-dia livre de limitações.

O vice-presidente da SPAIC frisou que “é possível vencer a asma, mas ainda estamos a meio caminho”, isto é, continua a ser imperativo apostar numa maior prevenção/diagnóstico e literacia da população sobre a doença.

Note-se que a “Vencer a Asma” é uma iniciativa conjunta da Associação Portuguesa de Asmáticos, Fundação Portuguesa do Pulmão, Grupo de Estudos Respiratórios da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Associação Nacional de Farmácias e da GSK.

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