Jornal Médico

PesquisarSubscrever NewsletterFacebookTwitter

Agenda de Eventos

quinta, 13 dezembro 2018 14:02

ONDR 2018: Doenças respiratórias matam duas pessoas por hora em Portugal

Em Portugal registam-se cerca de duas mortes por hora devido às doenças respiratórias e neoplasias do mesmo foro, destaca o 13.º relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) apresentado hoje no auditório dos Serviços Sociais da Câmara de Lisboa.

De acordo com o responsável pelo ONDR, António Carvalheira Santos, que procedeu esta manhã à apresentação do documento, “ainda existe um deficit na promoção da saúde e na prevenção da doença, por falhas na educação para a saúde. Portugal carece ainda da implementação de uma verdadeira rede de espirometria essencial para a avaliação funcional dos doentes respiratórios e, mais grave ainda, praticamente não oferece a possibilidade de os doentes fazerem reabilitação respiratória, que deve fazer parte integrante do plano terapêutico de todos os doentes respiratórios crónicos sintomáticos”.

Para o presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), José Alves, “este relatório vem fundamentar as apostas que a FPP tem feito e continuará a fazer para melhorar a saúde respiratória em Portugal”.

Segundo o especialista, a estratégia passa por altear a política do tabaco, através da aplicação de taxas que aumentem significativamente o preço do tabaco; alterar a epidemiologia da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), através da realização de espirometrias; e diminuir a incidência do cancro do pulmão, através da cessação tabágica.

Atualmente, as doenças respiratórias são a principal causa de internamento e a terceira causa de morte em Portugal, a seguir ao cancro e às doenças cardiovasculares. Estima-se que, em 2020, as doenças respiratórias sejam responsáveis por cerca de 12 milhões de mortes por ano em todo o mundo.

A mortalidade por doenças respiratórias em Portugal ultrapassa os 115 por 10.000 habitantes, sendo que a Madeira é a região da europa com maior taxa de mortalidade por doenças respiratórias. Se for incluído o número de mortes por cancro da traqueia, brônquios e pulmão, as doenças respiratórias foram responsáveis por 13.474 mortes em 2016, o que significa que por dia morreram cerca de 48 pessoas (duas por hora) no nosso país devido a doenças respiratórias. Do total de 13.474 mortes, 6006 ocorreram por pneumonia.

A pneumonia é a doença que mais mata, representando 7% dos internamentos médicos e 5% de todos os episódios de interamentos médicos e cirúrgicos. A DPOC apresenta uma taxa de mortalidade de 8%, os cancros de 31%, as pneumonias de 20% e a insuficiência respiratória de 25%.

Quanto à evolução da DPOC, sabe-se que nos últimos 15 anos esta doença passou de 5.ª causa de morte para 3.ª, tendo uma prevalência estimada de 14,2% em Portugal para pessoas com mais de 40 anos. Contudo, o nosso país tem registado um baixo número de internamentos por DPOC (diminuição de 14,7% em dez anos).

Relativamente ao número de internamentos, realizados entre 2007 e 2016, houve um aumento de 26% em relação ao número total de internamentos por doenças respiratórias e um aumento de 131% no número de episódios de doentes submetidos a ventilação mecânica. Os custos associados a estes internamentos atingiram 213 milhões de euros em 2013, tendo um custo médio de 1.892 euros no mesmo ano.

De acordo com os do ONDR, o tabaco continua a ser um fator de risco importante para inúmeras doenças respiratórias: foi responsável por 46,2% das mortes por DPOC; 19,5% das mortes por cancro; 12% das mortes por infeção respiratória inferior; 5,7% das mortes por doença cérebro-cardiovascular e 2,4% das mortes por diabetes.

Segundo o Institute of Healths Metrics and Evoluation, morreram, em 2016, 11.800 portugueses devido a doenças relacionadas com o tabaco, o que corresponde à morte de uma pessoa por cada 50 minutos.

Pela primeira vez, o relatório do ONDR incluiu um capítulo dedicado ao transplante pulmonar, avaliando a sua evolução ao longo dos últimos dez anos. O Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) é o único do país a realizar este procedimento. Desde a realização do primeiro transplante pulmonar, em 1991, já realizou 208 transplantes, 192 desde 2008, o que coloca o Hospital de Santa Maria ao nível daqueles que mais transplantam a nível internacional. A taxa de sobrevida em Portugal é ligeiramente superior face aos registos internacionais, sendo de três meses em 98% dos casos, de um ano em 81% e de cinco anos em 59%.

Já em relação à evolução da síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) têm-se verificado um aumento da prevalência que ronda os 23% nas mulheres e os 50% nos homens. A maioria dos doentes são diagnosticados com SAOS moderada a grave (82,4%), o que releva que existe subdiagnóstico da doença em Portugal. Assim sendo, os especialistas consideram que, no futuro, a estratégia deverá passar por melhorar a estratégia de referenciação dos doentes ao nível dos cuidados de saúde primários.

Este trabalho contou com a colaboração de 12 especialistas de renome da área da Saúde em Portugal, sendo eles: António Carvalheira Santos; Celeste Barreto; Fernando Barreto; Filipe Froes; Isabel Carvalho; Isabel Pité; Leonardo Ferreira; Luísa Semedo; Mário Morais de Almeida; Maria Sucena; Paula Pinto; Rita Pinto Basto.

Note-se, ainda, que para a elaboração deste relatório foram consultados dados e documentos das seguintes entidades: Administração Central dos Serviços de Saúde (ACSS), Direção Geral de Saúde (DGS), Programa Nacional para as Doenças Respiratórias, Infarmed, Instituto Nacional de Estatística (INE), Instituto Ricardo Jorge, Eurostat, OCDE e OMS.

Subscrição da newsletter do Jornal Médico